[Tag Literária] 10 perguntas literárias


Pra ir me colocando de fato nesse mundo de blogs, resolvi responder uma tag literáraria. Pra ver se consigo me sentir mais a vontade em estar escrevendo de maneira tão espontânea... Pra mim é bastante difícil ainda separar a literatura dos livros técnicos por isso eventualmente pode ser que apareça em tags de literatura um ou outro livro da minha área de atuação, que é o design. O nome dessa tag é 10 perguntas literárias e encontrei essa tag lá no A menina da janela. Sem Mais enrolação vamos para as perguntas.

01. Qual a capa mais bonita da sua estante? 

Pra começar já me tirando do foco de literatura me vem uma pergunta dessas. Sem dúvidas a capa mais bonita da minha estante é do livro "Linha do Tempo do design gráfico no Brasil". O livro é lindo, o projeto é incrível e a diagramação é impecável. Talvez o exemplar mais sensacional da Cosac Naify que eu possuo. Já em se tratando de literatura, acredito que o livro mais bonito que possuo é o "1984" na edição da companhia das letras. Seguem as capas para vocês conferirem.


Belíssimos exemplares, valeram cada centavo.

02. Se pudesse trazer um personagem para a vida real, qual seria?

O Holden Caulfield, do apanhador no campo de centeio, do Sallinger. Gostaria de saber como ele lidaria com a a realidade dos nossos tempos com a sua personalidade crítica e entediada, iria muito querer saber as reações dele aos nossos youtubers, blogueirinhos etc.

03. Se pudesse entrevistar um autor, qual seria?

Acredito que o Hemingway, mas não sei se seria exatamente uma entrevista, acho que o chamaria pra tomar um chopp, conversar sobre lutas. esportes etc. Hemingway parecia ser um tipo de escritor que fugia um pouco do estereótipo misantrópico dos grandes autores.


Nada como ter os amigos certos.
04. Um livro que não lerás de novo? Por quê?

Filosofia para corajosos do Luís Felipe Pondé. Achei o livro extremamente tendencioso e superficial, não me levem a mal, adoro ouvir o que o Pondé tem a dizer mas ao ler um livro, não dá pra vê-lo fazer cara de inteligente e falar de modo blasé para confirmar suas opiniões completamente empíricas, o que é bastante confuso já que ele parece ser um cara cheio de referências e com um bom lastro acadêmico de suporte.

05. Uma história confusa.  

Qualquer um que tenha lido Cem anos de Solidão vai ter que concordar que só aquela árvore genealógica já é o suficiente para deixar o livro bastante confuso. Mas acreditem em mim, é confuso de um modo bom.

Família Buendía - Tente não se perder
06. Um casal.

Sem dúvidas um dos casais mais emblemáticos da literatura ocidental, Odisseu e Penélope.

07. Dois vilões. (Que você gostou ou não)

Narrativas que possuem a dicotomia entre bom e mau não são o meu forte, prefiro textos masi abertos às interpretações de quem está lender, mas pra não ficar feio posso citar o meu vilão favorito: O'Brien de 1984. Um vilão como todo vilão deveria ser, frio, calculista, sem sentimentos e fiel às suas convicções, não corruptível pelas sensação de que tudo deveria terminar como um final feliz (mórbido não?).

08. Um personagem que matarias. 

Acho que eu terminaria com uma das maiores obras do ocidente ao matar Cláudio, o tio de Hamlet assim que tivesse as provas necessárias e antes que toda a peça desenrolasse. 

09. Se pudesse viver num livro, qual seria?

Esse é o tipo de pergunta que acaba com toda essa aura intelectual construída no post. Devo confessar que esperei a minha carta de Hogwarts por um bom tempo, e encontrar de fato o beco diagonal ou a escola de magia e bruxaria similar a Hogwarts no Brasil seria realizar um sonho de infância.

10. Qual teu maior e menor livro? (Em número de páginas)

Acredito que o meu maior livro seja o Viva o povo brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro, e o menor a Antologia Poética de Fernando Pessoa da editora Paulus.

Livros para ler em 2018 - ainda



2018 tá sendo um ano muito corrido, complicado pra caramba. Várias coisas saíram do meu controle, outras várias se tornaram objetivos indispensáveis, mas a leitura é um hábito que eu simplesmente não consigo deixar pra trás.

Eu não costumo estabelecer uma quantidade específica de livros para ler por ano, mas pelo menos 12 eu gosto de deixar pré-selecionados, para que um norte possa ser vislumbrado para que minhas leituras se conectem também. É bem lega quando se cria um universo de referências onde você pode ver as influências se conectando.

Dos 12 livros que escolhi para serem lidos inicialmente, já terminei o Ensaio sobre a cegueira de Saramago, O processo, de Kafka, a Odisseia, de Homero e o Livro da mitologia de Thomas Bulfinch, entre outros livros diferentes que vou intercalando com as leituras consideradas principais. Depois deles a lista cresceu novamente e vou mostrar aqui pra vocês os livros que estão na minha meta de leitura para até o fim desse ano.

Cemitério de elefantes.

O primeiro da lista é o Cemitério de elefantes, do autor curitibano Dalton Trevisan. Ainda não conheço muita coisa da obra de Dalton, confesso que me a postura misantrópica dele foi o principal motivo da minha curiosidade.

O livro é uma coletânea de contos e o autor é conhecido pela linguagem sucinta e seus textos curtos. Estou bastante curioso já que contos são talvez a forma de narrativa que mais me fazem refletir.


Casa Grande e Senzala

Casa Grande e Senzala é um daqueles livros que todo mundo fala que todo brasileiro que se preze deveria ler ao menos uma vez na vida. Sinceramente não sei muito bem o que esperar do livro, já que ele me parece ter uma visão mais técnico/histórica ( e aqui eu falo técnica por conta do método acadêmico) das relações entre a escravidão e o processo de consolidação cultural do Brasil.

O senhor das moscas

O senhor das moscas é um clássico da língua inglesa. Confesso que dentre os livros aqui descritos esse é um dos que menos eu tenho uma grande vontade de ler. Não sei se é porque a sinopse não me pareceu muito atrativa ou qualquer motivo anterior que ficou no meu inconsciente. Mas meta é meta e assim que terminar de lê-lo, digo o que achei pra vocês.

Capitães da Areia

O livro de Jorge Amado é o único aqui dessa lista que será uma releitura. A história dos meninos de rua da cidade do Salvador é, além de divertida, uma crítica dura aos moldes da sociedade da época, isso sem falar nas aulas de história que proporciona ao longo do texto sobre as condições da saúde na cidade, as práticas religiosas... Sem dúvidas é um livro pra ler mais de uma vez.

O nome da rosa

O autor italiano é carta marcada nas rodas de discussões acadêmicas, eu inclusive utilizei o seu livro "Como fazer uma tese" para me auxiliar durante o trabalho de conclusão de curso aqui da UFBA. Qunato ao nome da rosa, confesso que estou no escuro, todos conhecem de alguma forma: quem não leu o livro já assistiu o filme. Eu não fiz nem um nem outro e estou ansioso para descobrir do que se trata.

Ilíada

Homero é o pai da poesia ocidental. Em cada poeta há um pouco de Homero, alguém disse isso mas sinceramente não me lembro quem. A Ilíada é talvez o texto de maior importância da história do ocidente e quem ainda não o leu precisa fazê-lo rápido. Eu me enquadro no segundo grupo.

Macbeth

Eu li no início do ano passado meu primeiro Shakespeare, e pra variar foi Hamlet. O texto é incrível e cada linha parecia ser destinada a mim, foi um momento bem conturbado da minha vida onde tomadas de decisão foram necessárias. Macbeth vem nessa lista para que a visão da obra do autor seja ampliada e para compreender melhor a mensagem do britânico.

Dublinenenses

A leitura de Joyce é considerada  até por quem tem a leitura e a escrita como profissão de dificuldade elevada. Ele é um desses autores considerados mestres do estilo, Dublinenenses me foi indicado por vários amigos como leitura inicial, onde ele apresenta o seu universo e de onde toda a sua obra deriva. Dublinenses é o meu primeiro passo em direção a Ulysses.

As mil e uma noite - 2ª parte

A segunda parte das Mil e uma Noites está também nessa lista. Li o seu primeiro volume no meio do ano passado e é uma leitura bastante divertida. Mas não se engane, diversas pontos de sabedoria são percebidos ao longo do livro e conselhos de quase dois mil anos atrás ainda fazem todo o sentido nos dias de hoje.

Crime e Castigo

O autor que mais tenho gostado de ler não poderia estar de fora dessa lista. Já li algumas novelas e contos do Dostoiévski e Crime e Castigo será o primeiro livro robusto do autor que irei encarar. História é muito instigante e confesso que já rola uma identificação antecipada.

O vermelho e o negro

Pra finalizar tem aqui uma indicação da minha sogra. O vermelho e o negro me chamou bastante a atenção por não possuir até recentemente uma edição mais trabalhada. Só era possível encontrar edições de bolso, com uma diagramação péssima.

Esses são os livros que estão na minha meta de leitura 2018, casos vocês tenham alguma sugestão, crítica ou opinião sobre o livros citados, ficarei muito grato de saber :)

Grande abraço!

Vilém Flusser para designers?



Estou chegando ao fim do livro "O mundo Codificado" do filósofo tcheco naturalizado brasileiro, Vilém Flusser.

Engraçado que eu comprei este livro durante o N Design BH, em 2013, quando ainda não fazia a menor ideia do que faria e qual rumo a minha carreira tomaria.

Esse livro ficou na estante empoeirando maturando por um bom tempo até que peguei-o para ler no fim do mês passado. Acho que a melhor coisa que fiz foi não tê-lo lido naquela época já que a quantidade de referências externas é absurda e os conceitos, apesar da aparente simplicidade não são intuitivos. Certamente eu não poderia identificar as citações de Heidegger, Leibniz,  Newton e Nietzsche feitas pelo Flusser e estaria ainda mais perdido do que estou.

Fora essa parte é interessante apontar que o livro interessa aos designers também, já que ele aborda situações da vida contemporânea, como a alteração do sentido das imagens e da escrita, imagem publicitária, relação homem e máquina e outras tantas situações duvidosas que ocorrem sem que nos questionemos. Qualquer um que queira pelo menos vislumbrar uma pista de para onde nos dirigimos e porque as coisas estão mudando tanto e tão rápido, deveria dar uma lida no Mundo Codificado, afirmo que a perspectiva apontada é muito inquietante.

Bom, isso é o que eu posso falar do Flusser pra vocês por enquanto, assim que eu terminar de lê-lo farei um esforço para colocar algo mais completo aqui.

Abraços!